quinta-feira, 18 de abril de 2013

Lojas online buscam experiência de marca e abrem lojas físicas


Em busca da ampliação de canais de venda e de maior aproximação com o consumidor, empresas que nasceram no meio digital inauguram espaços enfrentando desafios


As empresas online têm percebido que, apesar de terem nascido em um ambiente virtual, não estão restritas a ele. A diversificação de canais de venda é uma forma cada vez mais comum de ampliarem sua atuação e muitas estão abrindo suas próprias lojas ou buscando parcerias com outras marcas para abranger também a presença física. Esta tem sido uma forma de oferecer uma experiência diferenciada aos consumidores, se aproximando mais de cada um e até os ajudando na familiarização com o e-commerce.

Também pode representar uma alternativa na distribuição e entrega de produtos e uma forma certeira de estar onde o contato com o público é mais relevante para o negócio. Tudo isso sem perder a essência digital. Os desafios, no entanto, são muitos: transformar um conceito virtual em materiais e objetos físicos que passem a mensagem da marca, descobrir a dinâmica da venda física e integrar os meios online e offline.

Grandes companhias como Google e Amazon têm aumentado sua presença física e outras, como Groupon e Ebay, inauguraram unidades para testar as vantagens de novos canais. Assim como elas, diversas empresas online enxergam que precisam corresponder à multicanalidade dos clientes. “Os consumidores exigem e empurram às empresas à diversificação de canais. Com as marcas online, não é diferente”, avalia Maurício Salvador, presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), em entrevista ao Mundo do Marketing. 

Presença física diversificada
A Amazon já manifestou em diversos momentos a vontade de ter uma loja física e, este ano, fez uma parceria com a empresa brasileira Superfone para ter quiosques específicos do e-reader Kindle em shoppings de São Paulo. O Google também realizou uma parceria semelhante e montou um stand dentro da loja de eletrônicos PC World em Londres, focando na venda de notebooks com o sistema operacional Google Chrome. Ambas também têm serviços que oferecem armários próprios em determinadas localidades para onde compras feitas por usuários podem ser encaminhadas.

O Groupon abriu efetivamente sua primeira loja física em Cingapura. A empresa disponibiliza a entrega e troca de aparelhos, mas oferece inúmeras outras opções, como a possibilidade de o cliente experimentar produtos à venda e de realizar buscas e fazer compras por meio de iPads. Além do site de compras coletivas, o eBay criou a The Bay Inspiration Shop em Nova York, que segue o conceito de presença física mas com vendas 100% digitais. Os produtos expostos trazem QR Codes que direcionam o comprador ao site para que efetuem o pedido e pagamento.

Confiança e contato mais próximo
A maneira como as unidades foram criadas reforça o 
fato de serem empresas de plataforma online, mas traz como vantagem o contato mais próximo do consumidor com a marca e com os produtos. “O showroom, que já é forte nos Estados Unidos e outros países, permite uma experimentação ao cliente e é uma forma de mostrar às pessoas que elas têm um local onde podem reclamar caso algo ocorra. Isso dá uma grande confiança para que se relacionem com a empresa”, analisa o presidente da ABComm.

Com o intuito de se aproximar do público e mostrar que a empresa é acessível e se comunica com as pessoas em todos os canais, o Hotel Urbano abriu duas lojas no Rio de Janeiro. A ideia veio da percepção de que o volume financeiro do mercado de turismo ainda é 90% offline e que, como a viagem é uma compra planejada, o consumidor exige mais segurança e contato pessoal. Na loja, eles acompanham o passo a passo do processo. A ideia é que a partir da primeira experiência, eles possam comprar sozinhos em casa”, explica Roberta Oliveira, Diretora de Marketing do Hotel Urbano, em entrevista ao portal.

Novas perspectivas
As dificuldades na criação e implementação da presença física foram inúmeras. A primeira foi como passar o conceito do Hotel Urbano para objetos e materiais físicos. Durante quatro meses, os profissionais envolvidos decidiram como seria a estrutura e o design do espaço e optaram por usar vidro e equipamentos de última geração para mostrar transparência e inovação tecnológica.

O longo processo de análise e de realização da obra valeu a pena. Logo que o local foi inaugurado, a agência de viagens percebeu que os clientes exigem uma personalização muito maior quando estão frente a frente com um atendente. “Isso está sendo interessante para revermos o nosso próprio portfólio. Queremos suprir as necessidades que temos percebido nos clientes”, conta Roberta Oliveira.

Graças à experiência positiva, a intenção é que o Hotel Urbano abra pelo menos 12 lojas este ano e que esteja presente em todas as capitais do país. Além da agência, outra empresa nacional online que tem investido em lojas físicas é o pet shop Meu Amigo Pet: a marca possui duas unidades próprias e três franquias, sendo duas ainda não inauguradas.

Oportunidades pouco exploradas
A decisão de apostar em um novo meio foi tomada depois de que Daniel Nepomuceno, CEO do Meu Amigo Pet, teve acesso a uma pesquisa da empresa Gouvêa de Souza, de que a terceira questão que leva o consumidor a ter mais confiança no e-commerce é a presença em unidades físicas. Outros pontos que influenciaram foi o maior poder de barganha junto aos fornecedores permitido pelo maior volume de compra em menor espaço de tempo e a percepção de que ainda não existia no Brasil nenhuma franquia de produtos para animais de estimação.

O estado de São Paulo foi escolhido para receber as unidades por ser o principal mercado do e-commerce. Além da capital, a marca focou em cidades menos populosas, como Presidente Prudente. “Muitas regiões ainda carecem de lojas especializadas nesse ramo e essa é uma oportunidade que temos para oferecer algo diferenciado”, opina Daniel Nepomuceno, em entrevista ao Mundo do Marketing

A integração entre os meios online e offline ainda está sendo implementada e é um dos principais desafios. Atualmente os clientes das lojas físicas têm descontos no e-commerce da marca caso não encontrem o que estão procurando na unidade que frequentam, mas as pessoas que compram no site ainda não podem realizar trocas nos espaços físicos. “Isso será possível em breve, mas ainda estamos viabilizando. O importante é que estamos evoluindo no mundo físico também”, avalia o CEO do Meu Amigo Pet. 

Atuação alternativa
Mesmo as empresas que não têm condição financeira ou estrutura para abrirem unidades, podem recorrer a algumas alternativas para atuarem fisicamente. O clube de assinatura de sapatos e acessórios na internet Shoes4you, por exemplo, firmou parceria com a marca Pash e expõe seus produtos na loja do bairro do Jardins, em São Paulo. A unidade disponibiliza sapatilhas e sapatos de salto médio e alto e, a cada mês, as coleções são renovadas, assim como ocorre no site.

O motivo principal para a ampliação de canais foi a possibilidade divulgar e apresentar os produtos a quem não conhece a marca. “Isso faz muito sentido, especialmente para uma marca tão nova como a nossa, que surgiu em 2011, e com o nosso tipo de produto. O cliente pode experimentar um sapato e adquiri-lo na hora caso tenha gostado”, analisa Olivier Grinda, CEO da Shoes4you, em entrevista ao portal.


Por Ana Paula Hinz, do Mundo do Marketing


Leia também: Mas afinal o que é loja conceito ou de experiência?

terça-feira, 2 de abril de 2013

Mas afinal o que é loja conceito ou de experiência?


Loja conceito da Nike em Ipanema/RJ


Loja de experiência, loja conceito, loja modelo... Em 2012, em menos de um ano, o Brasil ganhou mais de dez lojas com estas características, incluindo marcas renomadas como Nike, Absolut, Burguer King e Citröen. Mas, afinal, qual a diferença entre elas? 
Segundo Ricardo Pastore, professor no Núcleo de Estudos do Varejo na ESPM, não há uma definição teórica para cada tipo de loja, mas tendências que são seguidas há algum tempo. Além disso, uma marca pode "misturar" dois ou mais formatos e criar a sua própria visão de loja. Ele explica que atualmente existem quatro tipos de lojas: 
Loja conceito
Serve para o testar um novo padrão, que pode ou não ser expandido pela marca. "Na loja conceito, a ideia é que as marcas experimentem o mercado, inaugurando um novo jeito de expor produtos. Nela, a observação da reação do consumidor é fundamental para decidir se o modelo será mantido", afirma. 
É essa interação do cliente com as marcas que está sendo valorizada em espaços como o da loja conceito da Magnum. "O consumidor está cada vez mais exigente. Para ele, ir à loja e simplesmente comprar algo que precisa não é uma experiência completa. Eles querem viver, sentir a marca, e o produto... Consumir antes mesmo de comprar. A Kibon, por meio de sua marca Magnum, percebeu este movimento que já acontece fortemente em outros países e trouxe essa experiência para o Brasil", afirma Isabel Masagão, gerente de marketing da Kibon.
Vale lembrar que a loja conceito também pode funcionar somente por um determinado período e, na maior parte das vezes, pertence ao fabricante, e não ao varejista, o que permite uma expansão mais segura entre franquias, distribuidores e etc.
Loja de experiência
Neste ponto de venda, o que encontramos é um ambiente laboratorial, onde a empresa gera uma série de experiências para o consumidor e atividades que proporcionem contato direto com as marcas. Henry Rabello, diretor de marketing da Nike no Brasil, explica a caracterização de uma loja de experiência: "Para ser considerada uma loja de experiência, o espaço deve ter algumas características únicas, como pelo menos 1.200 metros quadrados de área e três tipos de oferta: produtos, serviços e conexão". 
A marca acaba de abrir uma loja de experiência em Ipanema, no Rio de Janeiro, com três andares e o Brand Apace, um espaço para eventos e lançamentos. "A Nike Ipanema é a primeira Brand Experience da América Latina. Há somente 15 espaços desses no mundo. Eles são especiais e têm a missão de proporcionar a melhor experiência entre a marca Nike e seus consumidores", afirma Rabello.
Loja modelo
Ainda de acordo com Ricardo Pastore, no caso da loja modelo, há também um espaço experimental, mas com foco em treinamento. "Trata-se de um espaço destinado a cursos, testes e outras atividades. Geralmente, ele se encontra em locais fechados e não está aberto para operar vendas, mas apenas experimentos e para orientar funcionários a como agir diante dos clientes", explica.
Loja piloto
Por fim, a loja piloto é uma loja que pertence a uma determinada rede de varejo e testa produtos e novidades. "Por serem na maior parte das vezes mudanças bruscas, a empresa corre certos riscos ao fazer esses testes. Contudo, é ali que ela sabe se determinada novidade é aceita ou não", afirma Pastore.

Loja conceito Absolut Inn em SP 

Tendência está ligada ao branding
Pastore vê o “boom” das lojas experimentais no Brasil não apenas como um movimento de reprodução da tendência, mas sim como uma ação realmente estratégica para agregar valor para as marcas. 
"Quando uma empresa decide abrir uma loja deste tipo, ela está pensando em um novo layout, uma mudança de conceito, e isso que as marcas brasileiras têm feito. Se um varejista quer ganhar prestígio em Nova York, ele provavelmente vai procurar um espaço na 5ª avenida. Aqui no Brasil, a maioria das lojas conceito e de experiência têm se concentrado também em pontos de prestígio, como por exemplo, a Oscar Freire, onde já existem há anos lojas famosas como a da Havaianas e Melissa", explica.
Foi esse amadurecimento de branding que ocorreu em espaços como o ABSOLUT INN, criado a partir da necessidade engajamento, e não de seguir uma tendência. "Hoje em dia, só a mídia tradicional não é suficiente para engajar. É preciso cada vez mais atividades experenciais, para que a marca possa conviver com o target e vice-versa", afirma Rafael Souza, gerente de grupo da Absolut no Brasil.

"No caso da Absolut, a ideia é manter uma conversa mais longa, diferente de um comercial de 30 segundos ou uma postagem no Facebook. Ao promover um espaço de interação, a conversa se tornou contínua e as pessoas puderam interagir com elementos da marca que são exclusivos, como a coleção de garrafas que nunca tinha sido vista antes pelo público e contém exemplares de outros países", explica. 
Apesar do espaço já ter fechado, Rafael afirma que isso não influencia em seu desempenho e faz até mesmo parte de um planejamento. "A ideia ao montar esse espaço era ter uma experiência única, mas que não passasse a integrar uma paisagem. É melhor ter uma experiência curta mas com bom engajamento do que sentar em cima dos louros e ficar esperando", conclui.

Fonte: Stephanie Hering


quarta-feira, 27 de março de 2013

Novo modelo de cidade sustentável


Cidade de Oulu hoje. Foto: Business Oulu

A cidade de Oulu, no norte da Finlândia, está prestes a ter um novo bairro destinado a ser um modelo de projeto ambiental no hemisfério norte.
Hiukkavaara, apelidado de "Arctic Smart City", será um projeto de 1,8 bilhões de dólares que implementa várias iniciativas sustentáveis ​​para seus residentes. O desenho urbano contará com uma rede energética inteligente, fontes de energia alternativas e renováveis, um sistema de água ecológico e gestão de resíduos centralizada.

O projeto ambiental e consciente de Hiukkavaara, é parte de um movimento que cresce  em todo o mundo para o desenvolvimento de cidades inteligentes. Estima-se que mais de 60 por cento da população mundial viverá em centros urbanos em 2025, com as cidades em crescimento, haverá um investimento de até US$ 30 trilhões por ano na economia mundial de acordo com um recente relatório do McKinsey Global Institute.

"Os apartamentos, edifícios, blocos, pátios, ruas e parques de Hiukkavaara são todos concebidos tendo como objetivo a conveniência dos residentes", disse o diretor de serviços urbanos e ambientais da cidade de Oulu, Matti Matinheikki. "A Energia e os materiais são consumidos de maneira eficiente e sem desperdícios, a natureza é valorizada, e a vida humana se mistura com o meio ambiente. O inverno tem sido o ponto de partida para o projeto da comunidade em Hiukkavaara, e o distrito da cidade será planejada levando em conta o clima. "
A cidade vai oferecer aos residentes soluções eficientes para o dia-a-dia e foi projetada com o usuário em mente. Ela está sendo construída para incentivar o envolvimento da comunidade e oferecer atividades recreativas em uma cidade onde os moradores são incentivados a se deslocarem a "pé, de bicicleta e esqui."


Proposta da Cidade de Oulu. Foto: World Construction Network

Os planos incluem a construção de 20 mil novas casas, 10 mil unidades habitacionais, 1.800 locais de trabalho e serviços inteligentes para 40.000 moradores, com o projeto previsto para ser concluído até 2035.

O transporte público deslocará facilmente os residentes por toda a cidade.
O aumento na demanda por recursos naturais e uma população em expansão global estão desafiando centros urbanos a aumentar a sustentabilidade, e oferecer estilos de vida desejáveis ​​para seus habitantes.

Espaços urbanos continuarão a se tornar mais densos através do desenvolvimento de cidades inteligentes, e mais cidades estão agora convergindo para criar mega-cidades ou regiões. O desenvolvimento dessas cidades também cria oportunidades para o crescimento econômico e reduz o impacto ambiental das cidades.
Por exemplo, a mega região de Hong kong-Shenzhen-Guangzhou, China, tem cerca de 120 milhões de habitantes e estima-se que a região de Tóquio-Nagoya-Osaka-Quioto-Kobe do Japão, terá uma população de 60 milhões em 2015.

Embora o ambiente está desesperado para a mudança, as iniciativas econômicas, tecnológicas e estilo de vida associados com o desenvolvimento de ambientes urbanos de hoje, vai continuar a criar oportunidades para as cidades e moradores dispostos a explorá-las.

Fonte: Angela Fedele

Leia também: Construções sustentáveis ganham mercado

segunda-feira, 4 de março de 2013

Em dez anos, mundo terá mais de 1 bilhão de idosos, segundo a ONU


Relatório recomenda que países se preparem para mudança em perfil demográfico e aponta mitos sobre terceira idade.

Da BBC
Um relatório de uma agência ligada à ONU afirmou no final de 2012 que, nos próximos dez anos, o número de pessoas com mais de 60 anos no planeta vai aumentar em quase 200 milhões, superando a marca de 1 bilhão de pessoas. Em 2050, os idosos chegarão a 2 bilhões de pessoas - ou 20% da população mundial.
Envelhecimento da população é uma tendência mundial (Foto: BBC)Envelhecimento da população é uma tendência mundial (Foto: BBC)
O documento do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês) faz previsões sobre o perfil demográfico global e reflete o aumento da expectativa de vida em diversos países do mundo.
A tendência é que os idosos se tornem cada vez mais numerosos em relação às pessoas mais jovens. Em 2000, a população idosa do planeta superou pela primeira vez o número de crianças com menos de 5 anos. Agora, a entidade prevê que, em 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos vá superar também a população de jovens com menos de 15 anos.
Segundo a UNFPA, o envelhecimento da população será mais perceptível em países emergentes. Hoje, cerca de 66% população acima de 60 anos vivem em países em desenvolvimento. Em 2050, essa proporção subirá para quase 80%.
A agência da ONU diz que o aumento da expectativa de vida no planeta é "motivo de celebração", mas alerta para alguns riscos econômicos do envelhecimento da população.
"Se não forem tomados os devidos cuidados, as consequências destes temas provavelmente surpreenderão países despreparados", afirma o documento.
A UNFPA alerta que o desafio para muitos países emergentes com grande número de jovens é encontrar políticas públicas para lidar com o envelhecimento desta população nas próximas quatro décadas.
No Brasil, a previsão é que o número de idosos triplique de hoje até 2050 - passando de 21 milhões para 64 milhões. Por essas previsões, a proporção de pessoas mais velhas no total da população brasileira passaria de 10%, em 2012, para 29%, em 2050.
Discriminação e mito
Um dos problemas enfrentados pelos idosos, segundo a ONU, é a discriminação.
O relatório fala que - apesar de 47% dos homens idosos e 24% das mulheres idosas participarem do mercado de trabalho - as pessoas mais velhas continuam sendo vítimas de "discriminação, abusos e violência" em diversas sociedades.
O documento traz depoimentos de 1,3 mil idosos em 36 países do mundo, inclusive do Brasil. O estudo da ONU também fala que existem mitos comuns sobre idosos que nem sempre são amparados pelos números.
Uma ideia amplamente difundida é a de que os mais jovens sustentam economicamente os mais velhos através do sistema de previdência. Porém esta previdência foi paga pelo próprio idoso durante os anos em que trabalhou.
Segundo a UNFPA, em muitos países, inclusive no Brasil, o caso contrário ainda é bastante comum.
"Em termos econômicos, ao contrário da crença popular, um número grande de pessoas mais velhas contribui com suas famílias, ao amparar financeiramente gerações mais jovens, e com as economias nacional e local, ao pagar impostos", diz o relatório.
"No Brasil, México, Estados Unidos e Uruguai, por exemplo, a contribuição [financeira] dada pelas pessoas mais velhas é substancialmente maior que a que eles recebem".

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Arquitetura da Felicidade

Alain de Botton é um escritor suíço que aborda diversos temas da vida, de relacionamentos a viagens, sempre relacionando-os a questões filosóficas.

Em seu livro A Arquitetura da Felicidade, ele escreve que as pessoas são profundamente influenciadas pela arquitetura à sua volta, seja a do lar, a do ambiente de trabalho ou mesmo a das ruas. 
O estilo e a aparência de cada construção afeta, de alguma maneira, o humor, a sensibilidade e até a personalidade dos seres humanos. O autor nos convida a abrir os olhos para essa curiosa relação, raramente percebida. 

De Botton acredita que o ambiente afeta as pessoas de tal modo que não seria exagero dizer que a arquitetura é capaz de estragar ou melhorar a vida afetiva ou profissional de alguém. Mas que não se pense que a solução dos nossos problemas está nas mãos dos arquitetos e decoradores. Para o autor, a arquitetura será sempre um protesto contra um estado de coisas. Se ficarmos felizes em ver a luz matinal sobre uma certa parede de gesso ou uma perfeita carreira de tábuas de assoalho, é porque essas pequenas cenas de beleza frágil contrastam com seu pano de fundo sombrio: os problemas cotidianos. Uma das teses de Alain de Botton é a de que o que buscamos numa obra de arquitetura não está tão longe do que procuramos num amigo. Ao construir uma casa ou decorar um cômodo, as pessoas querem mostrar quem são, lembrar de si próprias e ter sempre em mente como elas poderiam idealmente ser. 
O lar, portanto, não é um refúgio apenas físico, mas também psicológico, o guardião da identidade de seus habitantes. 
Seguindo esse raciocínio, o autor conclui que quando alguém acha bonita determinada construção, é porque a arquitetura reflete os valores de quem a elogia. Afinal de contas, uma simples fachada pode ser acolhedora ou ameaçadora, humilde ou esnobe, aristocrática ou religiosa, pode relembrar o passado ou apontar para o futuro. Pode até mesmo expor as idéias de um governo. Cada obra de arquitetura expõe uma visão de felicidade.

Leia também: Os Desafios da Arquitetura Corporativa

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Construtoras redesenham imóveis para idosos


DIEGO ZERBATO para a FOLHA
O envelhecimento da população brasileira também está movendo o mercado imobiliário. Se já tinham, em sua grande maioria, opções de lazer para crianças e adolescentes, os novos condomínios agora trazem facilidades para idosos.
Foi a partir de uma experiência na Pompeia (zona oeste de São Paulo), em 2008, que a Tecnisa desenvolveu o projeto para maduros. A intenção era fazer um condomínio para recém-casados com filhos, mas as vendas revelaram outro tipo de proprietário.
“Vimos que 15% dos compradores eram pessoas acima de 55 anos. A gente está acompanhando essa curva do envelhecimento da população, e é bom perceber que não é uma fatia irrelevante do mercado”, diz a gerente de projetos Patrícia Valadares.
Para direcionar a construção dos novos condomínios, a empresa reuniu geriatras, gerontólogos (estudiosos da vida idosa) e arquitetos especializados em design universal, que faz adaptações para garantir o acesso para pessoas com limitações de movimento em imóveis residenciais e comerciais.
Adaptação de banheiros dos apartamentos da Tecnisa; design universal é aplicado em cômodos e áreas comuns

ADAPTAÇÕES
As alterações acontecem dentro dos apartamentos e nas áreas comuns. A instalação de interruptores mais baixos e tomadas mais altas para diminuir o esforço para abaixar e levantar, o uso de maçanetas em forma reta a fim de facilitar a abertura das portas e a instalação de pisos de mesmo padrão para evitar desníveis são algumas das mudanças nas casas.
Nos espaços do condomínio, escadas das piscinas foram construídas em alvenaria e com corrimão, barras de alumínio identificam vidros dos prédios e até o porcelanato, usado por diversos lançamentos, foi substituído. “Trocamos por madeira porque a luz reflete no chão e pode provocar acidentes para quem tem problemas de visão”, diz Valadares.
Com o conceito, foram lançados dez prédios no bairro do Marapé, em Santos (a 72 km de São Paulo), conhecida por ser a escolha de muitos aposentados para morar após sair do trabalho. No total, são 1.627 apartamentos: oito blocos com dois quartos, previstos para junho de 2012, e outros dois, de três dormitórios, que devem ficar prontos um ano depois.
Uma das compradoras é a secretária executiva paulistana Elizabeth Henriques, 59, que se mudará para o litoral com o marido quando se aposentar, em busca de melhor qualidade de vida. “Esperamos ter vizinhos de nossa faixa etária ou próxima a ela. Gostamos de prosa e mais ainda com pessoas da mesma idade.”
ACESSO PARA TODOS
Em Suzano e Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), pesquisas de mercado levaram a J. Bianchi a construir dois prédios com design universal em 2008. Com a venda dos edifícios, foram lançados outros dois condomínios nessas cidades em 2010. Segundo a construtora, já foram negociados 70% dos apartamentos.
“Percebemos uma aceitação maior entre proprietários mais velhos e tivemos até cadeirantes que escolheram o prédio por causa das mudanças”, afirma a gerente de projetos Juliana Tartaglia.
Além das adaptações das construtoras para esse público, entidades de assistência a idosos também começaram a fazer condomínios dedicados a essa faixa etária.
Em São José do Rio Preto (a 438 km de São Paulo), a Agerip (Associação Geronto-Geriátrica de São José do Rio Preto) criou um condomínio destinado para maiores de 55 anos. A entidade oferece o terreno e a ajuda de um engenheiro especializado em casas para idosos para a construção de chalés, que é pago pelo comprador.
De acordo com a entidade, um título, que custa R$ 15 mil, dá direito ao usufruto eterno da casa. A associação afirma que 40 residências já têm moradores, enquanto outras 63 serão construídas.
CUIDADOS NA SUA CASA
  • Banheiros: a instalação de barras de apoio nos vasos sanitários e no box facilitam a locomoção. Para ajudar a abrir as torneiras e o chuveiro, o uso de registros monocomando ou com pontas, que podem girar para águas quente, morna e fria, ameniza a abertura do chuveiro.
  • Maçanetas: os modelos de alavanca devem ser adotados, pois são mais fáceis de abrir que os redondos (ou bolinha), que precisam de mais força nas mãos para girar.
  • Pisos: evite os pisos brilhantes e que precisam ser encerados. Além do risco de escorregar, a luz pode refletir no piso e dificultar a visão dos mais velhos. Prefira pisos de madeira e cerâmicas foscas. Evitar também os ressaltos entre os pisos dos cômodos.
  • Portas: prefira as de correr, pois exigem menos força para abrir. Os espaços de passagem também devem ser maiores, pelo menos com 80 cm de vão livre, para garantir a entrada e saída sem problemas com acompanhantes ou aparelhos como cadeira de rodas e andadores.
  • Interruptores e Tomadas: os botões devem ser mais baixos que o normal, com, no máximo, 1 metro de altura, a fim de minimizar o esforço. Pelo mesmo motivo, a tomada deve ser mais alta. A regra também pode ser aplicada para descargas e registros.


Nova norma ABNT para habitações


Norma de desempenho ABNT 15575 para habitações entra em vigor em março e será detalhada na Feicon Batimat

Seminário da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura explicará itens como a nova revisão da norma e a adequação do mercado às novas exigências. 


Diversos padrões mínimos de qualidade para edificações são estabelecidos pela norma ABNT NBR 15575, documento também conhecido como Edificações Habitacionais – Desempenho. O texto, depois de anos de elaboração, institui níveis mínimos de qualidade em diversos quesitos, como Acústica, Térmica e Iluminação. Além disso, define a durabilidade de uma edificação em diversos sistemas, como estrutura, paredes, revestimento e pisos. O novo marco regulatório entra em vigor em março de 2013, 150 dias após sua publicação, em janeiro. Diante das mudanças que a norma implicará ao mercado da construção, a Feicon Batimat – 19º Salão Internacional da Construção, em seu Núcleo de Conteúdo, oferece aos visitantes o Seminário AsBEA com o tema Saiba Como a Norma de Desempenho ABNT NBR 15575 Impacta o Projeto de Arquitetura e a Obra, no dia 12 de março (Hotel Holiday Inn Parque Anhembi).

A Norma de Desempenho 15575 está dividida em seis partes, sendo elas: Requisitos Gerais, Requisitos para sistemas estruturais, para sistemas de pisos internos, para sistemas de vedações verticais internas e externas, para sistemas de coberturas e requisitos para sistemas hidrossanitários. As mudanças impactarão o setor da construção e passam a valer justamente no mês em que ocorre a Feicon Batimat. Projetos considerados de durabilidade "mínima", por exemplo, devem possuir estruturas que durem, no mínimo, 50 anos; intermediária, 63 e superior, 75 anos. Pisos internos devem ter resistência, respectivamente, de 13, 17 e 25 anos. Também deverão seguir normas a vedação vertical externa e interna, cobertura (última laje e telhado) e o sistema hidrossanitário. Isto significa que, no verão, a temperatura terá de ser no máximo igual à de um dia típico da estação em cada região do país, assim como, no inverno, a temperatura deverá ser igual à mínima externa, acrescida de 3ºC. A parte acústica também será contemplada, definindo-se um nível máximo de ruído em caso de imóveis em condições habituais e em proximidade a aeroportos, estádios, linhas de trem, entre outros. Em casos assim, a construtora será obrigada a medir o barulho e criar medidas de isolamento acústico.

Para mais informações e inscrições para os seminários previstos pelo Núcleo de Conteúdo da Feicon Batimat 2013 os interessados devem acessar o site do evento www.feicon.com.br.

Outros seminários do Núcleo de Conteúdo

As novas exigências do mercado e a necessidade de atualização profissional são elementos tão importantes para a Feicon Batimat que a feira, tradicionalmente, promove o Núcleo de Conteúdo, paralelo à exposição. O evento reúne os profissionais do mercado para debates sobre tendências, alternativas e soluções para os atuais desafios do setor de construção civil. Em quatro dias de apresentações técnicas, palestras, painéis de debates e estudos de casos, o visitante terá a chance de conhecer estratégias para a atualização e qualificação profissional. O Núcleo de Conteúdo Feicon Batimat reunirá mais de 800 profissionais do mercado construção. O público é composto por engenheiros, arquitetos, projetistas, orçamentistas, designers e demais profissionais envolvidos com obras e projetos em construtoras, incorporadoras, indústrias em geral e órgãos públicos. O Núcleo de Conteúdo Feicon Batimat já tem confirmados seminários como da AsBEA, na terça-feira 12 de março; Conferência Internacional de Processo Aqua, para a quarta-feira dia 13; Seminários PINI na quinta-feira dia 14 e Seminário do Green Building Council na sexta-feira dia 15.


A Feira:
Núcleo de Conteúdo Feicon Batimat
Data: 12 a 15 de Março de 2013
Horário: 3ª a 6ª das 9h às 18h
Local: Hotel Holiday Inn
Rua Prof. Milton Rodrigues, 100 - Santana São Paulo - SP

Fonte: Instituto de Engenharia